"- Esse negócio de perdoar os nossos devedores ou dar a outra face, não é para mim, somente Deus é capaz disso."
Quantas vezes ouvi isso. Quantas vezes eu disse a mesma coisa. Por quantos anos deixei os meus ossos serem corroídos pela mágoa e o rancor. Mesmo vivendo longe das pessoas que um dia magoaram-me profundamente, elas estavam presentes em cada pensamento. Perguntava-me: "Deixei tudo para atrás, me permiti uma nova vida, por que não consigo desvencilhar-me deles?"
Uma vez ouvi a seguinte frase: “Não adianta tirar o povo da favela, se a favela permanecer dentro do povo”. Percebi que a distância não cura feridas de alma, a única fórmula é o perdão. Resolvi, mesmo não sentindo vontade, perdoar todos eles e na primeira oportunidade que tive exteriorizei o meu perdão em uma ligação telefônica. Toda a raiva que sentia, toda dor, todo desprezo e mágoa foram anulados. Não que tudo de ruim tenha simplesmente se apagado da minha memória, mas todas as más lembranças não doem mais. Cheguei também a uma conclusão a respeito de mim mesma: “Também já magoei, também já entristeci, também já desiludi alguém.” Então, resolvi perdoar a mim mesma. Foi a primeira vez que senti a liberdade genuína.
Obrigada Pai, porque a Tua Palavra me salvou e me libertou. Hoje não vivo pelo que sinto, mas pela fé e pela Graça do Teu Amor. (Thayna Larmand).
